Sociobiodiversidade

    Sociobiodiversidade, por definição, é o conceito que abrange a agrobiodiversidade de um local – diversidade biológica de relevância para a agricultura tradicional e para alimentação dentro de um agroecossistema – e a sociodiversidade – diversidade étnica e cultural em um espaço. A sociobiodiversidade estuda a relação dos povos, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PCTAFs) com a terra, os conhecimentos aplicados no manejo desses recursos e a cultura associada.

    Muitos desses povos vivem no Cerrado desde muito antes da colonização e, mesmo após a invasão e urbanização das terras brasileiras, resistiram e seguem resistindo e preservando o bioma através manutenção dos seus estilos de vida, atuando como verdadeiros guardiões do bioma. São eles mais de 80 etnias indígenas, além de diferentes comunidades quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, quebradeiras de coco, geraizeiros, vazanteiros, barranqueiros, sertanejos, ciganos... dentre vários outros.

    A cultura, história e o saber fazer desses povos são bens imateriais de valor inestimável São esses povos os mais comprometidos com o uso consciente e manutenção dos recursos obtidos a partir da terra e ao mesmo tempo os que mais sofrem com a má gestão dela. O Cerrado pode ser considerado a “farmácia do Brasil” por causa da imensa diversidade de plantas nativas utilizadas no tratamento das mais diversas enfermidades, e está  nas tradições orais de indígenas e quilombolas o conhecimento secular a respeito da identificação, funcionalidade e modo de preparo desses remédios.

Raspas da polpa do Buriti e o Fruto. Foto: III Festival Gastronômico de Arraias

    A WWF Brasil desenvolve projetos com o objetivo de orientar o processo de desenvolvimento sustentável dentro dos chamados Mosaicos de Áreas Protegidas – reunião das áreas próximas e suas respectivas comunidades para promover a gestão compartilhada do território e a otimização dos recursos. Alguns desses mosaicos se organizam em cooperativas com o objetivo de facilitar a comercialização dos produtos extraídos e produzidos nessas comunidades. Estima-se que o faturamento médio anual obtido através da exportação de alguns desses produtos seja próximo de 5 milhões de reais.

    É crescente a inserção de produtos do Cerrado no mercado. Os frutos aos poucos passam a ser conhecidos e apreciados, além dos diversos produtos obtidos através deles como doces, cosméticos, óleos... O consumo dos frutos do Cerrado passa direta ou indiretamente pelas comunidades tradicionais. Seja por terem sido colhidos ou coletados por comunidades extrativistas, seja pelo conhecimento a respeito da existência deles que muitas vezes foi obtido dentro dessas comunidades.

Roda de Sussa. Foto: II Festival Gastronômico de Arraias

    Além dos produtos diretos, o turismo é uma importante fonte de renda  para muitas comunidades tradicionais. Tanto as belezas naturais encontradas e preservadas pelos povos que ali residem quanto as diferentes culturas e saberes são fortes atrativos para turistas do mundo inteiro, o que coloca o turismo como importante aliado do desenvolvimento sustentável, já ele gera e distribui renda ao mesmo tempo que valoriza a conservação de tradições e do meio ambiente.

    A sociobiodiversidade do Cerrado é mais uma das tantas riquezas desse bioma e deve ser valorizada, apoiada e preservada. O turismo ecológico e o consumo de produtos advindos de cooperativas geram renda para esses povos e fomentam a manutenção do modo de vida tradicional. É deles o direito de lucrar com os seus conhecimentos ancestrais, mão de obra e com a terra por eles preservada. 

Referências:

Ministério do Meio Ambiente (MMA). Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável do Bioma Cerrado. Programa Cerrado Sustentável, In: MMA (Ed.), 2006.

WWF Brasil. Cerrado: promovendo a sociobiodiversidade. In: WWF, 2019.

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