Cerrado: Um Hotspot mundial de Biodiversidade

    O termo “Hotspot”, que pode ser em tradução livre significa “ponto quente”, foi cunhado pelo ambientalista britânico Norman Myers para chamar a atenção mundial para ambientes com “concentrações excepcionais de espécies com alto nível de endemismo”, ou seja, espécies que só ocorrem em regiões muito restritas do mundo, e que “estão passando por taxas de destruição inusitadas” (Myers 1989). 


    Juntamente com ecólogos e autoridades no assunto “biologia da conservação”, o termo foi aprimorado, sendo decididos critérios menos subjetivos para a definição destas áreas que deveriam receber atenção mundial em prol da conservação. No ano 2000, Myers e colegas (Myers et. al. 2000) criaram uma lista contendo 25 biomas terrestres que contribuem individualmente com suas respectivas floras endêmicas com pelo menos 0,5% da diversidade mundial de plantas vasculares e que já tiveram pelo menos 70% da sua vegetação natural convertida para outros usos humanos. Nesta lista de Hotspots mundiais, o Cerrado é o único bioma savânico representado.

Mapa baseado em Myers et. al. (2000) representando os hotspots mundiais de biodiversidade com destaque para o Cerrado. As áreas que cobrem regiões marítimas representam a ameaça aos ecossistemas de ilhas arquipélagos.

    O Cerrado é lar de 12.455 espécies válidas de plantas vasculares, das quais 5.180 só ocorrem nele (Flora do Brasil 2020). Este valor representa 1,68% das 308.312 espécies de plantas vasculares conhecidas no mundo atualmente (Christenhusz & Byng 2016), mais do que três vezes a riqueza de espécies endêmicas necessárias para a classificação como Hotspot. Ao mesmo tempo, estudos mostram que cerca de 46% do cerrado já foi convertido em áreas de pastagem e/ou plantio, e dos 44% remanescentes, menos da metade se encontra no seu estado original de conservação, sendo as áreas primárias de cerrado representantes apenas de 19,8% da cobertura original (WWF; Strassburg et. al. 2017).


   A União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN) é uma organização não governamental que se ocupa em avaliar e orientar sobre o risco de extinção de espécies de todo o mundo. Esta organização utiliza de diversos critérios baseados em ameaças existentes para a prevalência das espécies. A partir destes critérios norteadores, as espécies são classificadas em uma das seis categorias de ameaça, ou em uma das categorias de desconhecimento. Das ameaças existentes às espécies, as cinco maiores responsáveis são, em ordem de importância, perda de hábitat, espécies invasoras, poluição, população humana e superexploração. Por isso, o desmatamento do Cerrado, juntamente com a fragmentação das áreas naturais remanescentes, que facilita a invasão por espécies exóticas, são as principais ameaças à diversidade de espécies nativas deste Hotspot (WWF).

Referências:

Christenhusz, M.; & Byng, J. (2016).The number of known plant species in the world and its annual increase. Phytotaxa, 261(3), 201–217.
Strassburg, B. B.; Brooks, T.; Feltran-Barbieri, R.; Iribarrem, A.; Crouzeilles, R.; Loyola, R.; ... & Soares-Filho, B. (2017). Moment of truth for the Cerrado hotspot. Nature Ecology & Evolution, 1(4), 1-3.
WWF:https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas/bioma_cerrado/bioma_cerrado_ameacas/ acessado em Agosto de 2020
Myers, N. (1988). Threatened biotas:" hot spots" in tropical forests. Environmentalist, 8(3), 187-208.
Myers, N.; Mittermeier, R. A.; Mittermeier, C. G.; Da Fonseca, G. A.; & Kent, J. (2000). Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, 403(6772), 853-858.

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