Savana

   Quando se fala em Savana, o imaginário popular logo evoca a imagem de uma paisagem aberta cheia de grandes e emblemáticos animais como leões, elefantes, zebras e girafas: a Savana Africana. Porém, a palavra Savana tem sua origem nos povos ameríndios pré-colombianos que habitavam a América Central, eles usavam a palavra habana para designar paisagens abertas dominadas por gramíneas e ervas. Posteriormente, o termo foi derivado para Sabana ou Sabána, no espanhol, e empregado no mesmo contexto para designar as paisagens abertas caribenhas e do norte da América do Sul. Somente muito tempo depois passou a ser usado para as paisagens africanas (Walter et. al. 2008).

    O termo “Savana” foi empregado ao longo da história para se referir a coisas diferentes e vários autores influentes tentaram, sem sucesso, definir um conceito universal. Ainda hoje há controvérsias a respeito, havendo diferentes conceitos, mas que podem ser categorizados em duas escolas de pensamento.

No brasil também temos o Lavrado, um bioma tipicamente savânico que ocorre no estado de Roraima. 

Foto:  Matheus Mourão Carvalho

    A primeira escola, chamada Escola Americana (Walter et. al. 2008), se baseia apenas na observação da fisionomia da vegetação, ou seja, qual o formato que as plantas assumem e como estas formas ocupam a paisagem. De forma que será observado se as plantas são ervas, arbustos, árvores, qual a largura das folhas, etc, e se apenas árvores dominam a paisagem, árvores espaçadas com capim, apenas capim, altura das plantas, largura das copas, etc. Neste grupo de conceitos, Savanas são paisagens dominadas por gramíneas e ervas, com ou sem a presença de arbustos e/ou árvores espaçadas, o que permite a inclusão de paisagens encontradas em ambientes subtropicais como as pampas do sul do Brasil ou Chaco argentino.

     Já a segunda escola, chamada Escola Européia (Walter et. al. 2008), se baseia nos mesmos critérios fisionômicos da vegetação, mas restringe o conceito às paisagens com as características previamente citadas que ocorrem na região tropical do planeta. Desse ponto de vista, as Savanas do mundo passam a ter um elemento em comum: o Clima, caracterizado por um inverno seco e um verão chuvoso, sem grandes oscilações térmicas entre as duas estações, além de um índice pluviométrico médio anual que varia tipicamente entre 900 e 1500 mm (Ricklefs 2010).

   Por qualquer definição assumida, o Cerrado é considerado um bioma ou domínio fitogeográfico savânico. Já que além de se enquadrar nos perfis climáticos, ele é predominantemente coberto por fitofisionomias savânicas, sendo o cerrado sentido restrito responsável por 70% da cobertura total do bioma (Coutinho 2016 p. 67; Ribeiro & Walter 2008).

 
       Apesar de todas essas definições, o Cerrado é um bioma tão único e rico que diversos autores já apoiaram a ideia de que ele não deveria ser enquadrado em um subtipo de um bioma geral como a Savana. Mas que fosse, como proposto por Santos et. al. (1977), por si só “um termo autônomo, individualizado e sui generis” de modo que representasse a sua biodiversidade única de paisagens, interações ecológicas e espécies.

Referências:

Coutinho, L. (2016). Biomas brasileiros. Oficina de Textos.


Ricklefs, R.E. (2010). A Economia da Natureza. 5ª. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara.


Santos, L.B. dos; Innocêncio, N.R.; Guimarães, M.R. da S. (1977). Vegetação. In: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Geografia do Brasil: região Centro Oeste. Rio de Janeiro: Diretoria de Divulgação, Centro de Serviços Gráficos. p. 59-84


Walter, B.M.T.; Carvalho, A.M. de; Ribeiro, J.F. (2008). O Conceito de Savana e de seu Componente Cerrado. In: Cerrado: Ecologia e Flora. v1, p. 21-45


Ribeiro, F.B.; Walter, B.M.T. (2008). As Principais Fitofisionomias do Bioma Cerrado. In: Cerrado: Ecologia e Flora. v1, p. 151-212

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